Não consegui ficar imune. Tem coisas que mexem com a gente e compartilhar é preciso.
Assisti hoje, pela primeira vez um filme do Almodóvar. Já estive por diversas vezes com alguns nas mãos, mas sempre acabava em duvida..será? Até porque sempre ouvir falar (e hoje confirmo) que os filmes do Almodóvar ou se ama, ou se odeia. Eu definitivamente fico do lado de quem ama.
Eu saí à procura de: Tudo Sobre Minha Mãe, mas por ser feriado, encontrei poucas locadoras abertas. A única que encontrei tinha um único filme do diretor: Volver.
Meio desconfiada peguei, numas de:”vamos ver qual é”, e na pior das hipóteses dormirei no meio.
Ledo engano. O filme é lindo, sutil, denso, dramático, tragi-cômico e feminino até o útero. Uma pintura. Uma tentadora possibilidade de voltar, como o próprio nome sugere e que nos faz pensar em como seria se ganhássemos esse presente da vida. Poder retomar lá atrás o que deixou de ser feito. As desculpas que nunca foram pedidas, as revelações que nunca foram feitas, os fantasmas que não matamos, o passado que nunca enterramos. E de lá, resgatar para o presente os que ficaram, os que perdemos, os que queríamos conosco.
Chorei, evidente. Fez lembrar-me de minha avó materna, nos domingos inúmeros que passei em sua casa e que ela esperava-nos com a mesa farta: pastéis feitos na hora (os mais deliciosos que já comi na vida), potinhos de compota, “chimia”, café com leite aconchegante.
Saudade dos almoços regados a churrasco, de colher bergamota no pé, de deitar na rede...
Quis voltar lá e trazê-la de volta. Dar os abraços que não dei, os beijos que não valorizei. Saudade de tê-la por aqui para saber que a neta dela cresceu, que construiu uma vida, uma família...
Enfim, me permiti sentir saudade e ter a certeza que definitivamente o que se leva da vida, são momentos.
Então tá.




