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quinta-feira, 8 de março de 2012

Insônia de verão.





Calor do cão. Não entendo essas pessoas alvoroçadas, que logo nos primeiros dias da primavera saem de casa de mini blusa, mini saia, mini juízo.
Esquecem-se que depois da primavera vem a torradeira? Isso atrai, caramba!
Por falar em torradeira lembrei que tenho uma. Mas que não tenho pão. E que tenho fome.
Sabia que devia ter passado no mercado antes de chegar, mas e a pressa de chegar em casa?
Aliás, pressa pra que hein?
Vou levantar e tomar um banho. Mas já tomei dois hoje. E o planeta? Tenho que economizar água.  
Deveria tomar um Lexotan, isso sim.
E depois outra: é preciso tomar várias decisões com relação ao banho.  Lavar o cabelo? Se lavar tem que secar. Mas ligar o secador com 40 graus lá fora, está fora de cogitação.
Podiam inventar um secador frio para o verão né? E que a gente ficasse lisa sem precisar fazer escova. E que desse brilho. E que hidratasse.
Melhor não lavar o cabelo de novo. Não faz bem aos fios.
Depois do banho tem que passar hidratante na pele. Só de pensar em me besuntar com alguma coisa melequenta me dá náuseas.
Tem coisa pior do que se besuntar de creme no verão?  Tem! Se besuntar com óleo hidratante. 
Esquece o banho e vai dormir.
Esse ventilador faz mais barulho do que vento. E o vento é quente.
Abre a janela.  Vai entrar mosquito. Coloca veneno. Me sufoca.
Passa repelente. Gruda!
Então dorme criatura, dorme, porque até os mosquitos estão dormindo a essa altura.
Mas e a fome?  É psicológica. É sim...escuta os roncos da minha barriga pra ver se é psicológica.
Aliás o barulho era do ventilador ou da minha barriga?
1h30 da manhã. Já virei abóbora.  Calda de abóbora melhor dizendo.
Liga a TV. Que diabos passa na TV a essa hora?
Credo! Alguém compra um anel de esmeraldas cravejado de diamantes por suaves 18 parcelas de 2.734,00 a essa hora da manhã?  Vai ver o público alvo a esta altura já está um pouco embriagado e não lê direito o número de parcelas.
É isso! Álcool!!! Quem sabe dá sono.
Só tem cerveja quente. Nem pense, que dá dor de cabeça.
Uma geladeira sem cerveja deveria ser um crime previsto em lei.
Troca de canal.
Missionário João Paulo de Deus. Dando a palavra.  Há! Não confio em quem dá qualquer coisa a essa hora da madrugada meu Senhor.
Esquece a TV. Liga o rádio.
Rádio? Só do celular. Mas demora tanto a sintonizar uma rádio que quando eu conseguir, os galos já estarão cantando.
Então esquece tudo e medita.
Eu não sei meditar. Minha mente é uma montanha russa desgovernada. Tente pará-la para ver o que acontece. Alguém vai cair de lá e pode ser fatal.
3h30. O missionário já desistiu de dar a palavra e o estoque de jóias raras do outro canal deve ter chegado ao fim.
Uma pechincha!
Feliz da moça que ganhar aquele anel. Nem se eu penhorasse o corpo poderia comprar. A não ser que fosse por Kg, pois estas estão bem fartas. Quem sabe em arroba.

05h Preciso começar a fazer exercício. E dieta.
Dorme, pensa nisso amanhã.
Mas já é amanhã.
07h. Bom dia pra você também despertador, que assim como eu esteve incansavelmente alerta durante mais essa noite.

Então tá.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Salve as Diferenças





Sou totalmente crente na diferença entre homens e mulheres.
Não fosse assim, seres tão complexos e tão diferentes, não poderiam ser tão perfeitos um para o outro. Afinal está nas diferenças a possibilidade de conhecimento e crescimento tanto individual quanto coletiva. Salve as nossas diferenças.
E é exatamente por isso que existem coisas que são exclusivamente para mulheres, outras exclusivamente para os homens. Obvio, não? Nem sempre.
Alguém por favor, informe aos desavisados de plantão que homem NÃO DEVE sob hipótese alguma, por exemplo, pintar o cabelo.
Queridos: Mulher pode tingir mechar, fazer luzes, reflexos, cortar, repicar, fazer franja, franjinha, franjão, colocar aplique, mega hair, encaracolar, alisar, hidratar e toda a gama de possibilidades que o ramo cabeleireiro nos fornece. O que não dá pra conceber é um homem grisalho, ou de cabelos brancos, resolver pintar o cabelo, e pior: de castanho. Cabelo Branco+ Tinta Escura = Cajuzinho Uó do Borogodó. Não rola! Não fica bem. Nem em você caro leitor, nem no George Clooney (aliás, que é um belo exemplar de grisalho).
E ainda há os casos ainda mais graves: os que pintam os cabelos e O BIGODE. Não dá pra admitir, francamente. Aos que vivem à minha volta eu já avisei: eu interno! Tiro do testamento! Peço interdição!
Outro dia numa viagem, sentou-se a minha frente um cara bem vestido, lá pelos seus 40 e poucos anos e era calvo. Desses que os cabelos caem no topo da cabeça e as laterais continuam crescendo. Mas o cidadão resolveu não aceitar a calvície, e resolveu solucionar com uma idéia brilhante: Deixou crescer o lado direito, entupiu de gel, e cobriu a área desmatada “transplantando” os cabelos de um lado para o outro.
Juro por Deus: Mais 30 minutos de vôo, e eu teria batido no ombro do sujeito e dito:
- Amigo.. .veja bem: Você provavelmente não tem mãe, nem mulher, nem namorada (sim, nem poderia!), nem filha enfim... Ninguém que possa lhe dar um conselho precioso, então eu farei agora esse papel: Vai raspar esse cabelo e assumir com dignidade essa careca homem de Deus!
E seguiria argumentando:
-Amigo, pense comigo: Que mulher gostaria de acordar ao lado de um homem que, do lado direito é o Lasier Martins, e do esquerdo o Pedro de Lara? Não rola amigo. Definitivamente NÃO É TENDENCIA, OK???
Pra sorte dele (ou minha), ou vôo terminou antes do meu acesso de “sincerocídio”, e eu consegui segurar a língua. E por isso que vos digo: Cada macaco no seu galho gente!
Homem que é homem assume dignamente os fios grisalhos, a leve falta de fios, ou a careca total. Pronto, muito mais prático do que nós : loucas ensandecidas camaleônicas que sempre encontramos uma “necessidade” de mudar. Fiquem aí com suas praticidades de nascença e nós aqui com nossas mutações capilares, combinado?
Então tá.



sábado, 1 de maio de 2010

Bicho Papão


Então estávamos eu, meu marido e minha filha em nossa casa em Sp, quando ouvimos barulhos estranhos. Estranhos mesmo, e altos: Tipo, socos, batidas de porta violenta...coisa “horrívi” mesmo.
Como o casal que mora no andar de cima, é um casal de idosos (já passaram ambos dos 70 anos), excluímos a possibilidade de uma pegação mais violenta.  Peguei minha filha pelo braço, e me escondi com ela agachada no quarto dos fundos tentando lembrar de alguma instrução de segurança passada em palestras de defesa pessoal que eu tenha assistido. Isso tudo é claro sem tentar assustá-la. Em vão, obvio, porque eu já estava em pânico. 
Eu e meu marido tivemos a mesma percepção da cena: A casa dos velhinhos foi invadida, o barulho que se ouviu só pode ter sido dos meliantes botando o pé na porta, e neste  exato momento eles estariam sendo amarrados nas cadeiras nus, e levando coronhadas na cabeça.
Enquanto eu fazia a Kate Mahoney, e tentava proteger minha filha em algum local seguro da casa, meu marido incorporava o Chuck Norris trancando as portas e bolando uma saída estratégica. A primeira delas foi pegar a arma escondida no roupeiro, e empunhá-la ficando a espreita. Eis que depois de um tempo os barulhos cessaram. Tivemos então a BRILHANTE idéia de telefonar para o casal, para tentar descobrir algum indicio do que se passava.
O Vovozinho atendeu calma e placidamente. Meu marido quis saber se estava tudo bem, pois tinha escutado alguns barulhos estranhos..
Ao que ele sorridentemente respondeu:
-Ah meu filho... Obrigada pela preocupação! Mas está tudo bem....é que a minha netinha não queria comer, e meu filho começou a bater na porta pra ela pensar que era o bicho papão.
Ahhh sifodêeeee Sr. Maneco... Gentileza avisar a vizinhança antes de receber a visita do bicho papão, porque eu acabo de voltar a ter medo dele!
Pode sair debaixo da cama minha filha. A operação “quarto do pânico” foi abortada.
Então tá.

Chato pra Car@#$$¨%&



Eu tenho um pára-raios a postos para atrair gente chata.
Se houver um chato num raio de 10 km, escreve: ele vai se aproximar de mim a fim de me irritar: Fato.
Quando é um chato conhecido, digo desses que a gente é obrigada a conviver por serem da família, ou colegas de trabalho ou afins, vá lá. O problema é quando o chato é totalmente desconhecido, não se sabe nem de onde saiu, e mira na pessoa aqui. O tiro é sempre certeiro.
E o curioso, é que o chato jamais percebe que está chateando. Você pode tentar fazer a maior cara de #$@ do mundo, porque o cidadão não vai perceber, desista.
Pode também tentar ser irônico, debochado, dar indiretas: Esqueça: ele não vai entender.
A probabilidade de se encontrar um individuo desses quando se está em lugares públicos e sozinha é sempre maior. Eis que normalmente utilizo meu carro para as idas e vindas cotidianas. Trabalho, dar carona para a mãe, fazer mercado, pegar a filha na escola etc.
Mas há mais ou menos 15 dias, estou tendo o PRAZER de usar o transporte coletivo, pois meu marido precisou viajar com meu carro. O problema é que trabalho em outra cidade, então os horários ficam extremamente limitados. É um sobe e desce de ônibus, que presumo não estar muito distante o dia que pegarei o ônibus errado e vou parar sabe-se Deus onde.
Na ultima sexta-feira, precisei pegar minha filha na aula de ginástica e meu humor já era incrível aquela altura.
Era sexta, eu estava morta de cansada, já havia tomado 3 ônibus naquele dia, e estava prestes a ter de entrar no ultimo a caminho de casa. Coisa básica: Um trajeto que levo 10 min de carro o ônibus faz em 45, mas beleza... vamos em frente.
Chegando ao ponto de onibus: tchanam... o chato me descobriu. A chata para ser mais exata. Ela parecia estar a minha espera, pois foi eu botar o pé na calçada e ela veio em minha direção com a abordagem nonsense:
-Tá esperando o Boqueirão?
-Não senhora. (respondi com cara de c@#$$)
-Ta esperando o Moinhos de Vento?
-Não senhora. (sobrancelhas arqueadas tentando afugentá-la)
-Ta esperando qual então?
-O primeiro que vier eu entro sua infeliz (era o que ela teria lido se a vida tivesse legenda).
-O Igara , respondi monossilabicamente.
-Mas o Igara já passou!
- Vou esperar o próximo (enquanto lembrei de uma comunidade que participo: Quer conversar vai na Hebe!)

Lembrei também de uma frase que meu pai sempre diz: - Minha filha, o chato quando está com tosse não vai ao médico, vai ao cinema!
E então nos próximos 5 minutos (tempo em que demorou para que a GRALHA pegasse o seu ônibus), ela me relatou um apanhado rico em detalhes de sua vida.
Falou da insatisfação com a Patroa, sobre estar pensando em largar o emprego pois nunca consegue sair no horário em que deveria. Contou que já estava atrasada para ir ao baile em outra cidade e que a esta altura já teria perdido a carona, pois a vizinha não ia esperá-la. (nem eu esperaria). Passou pela vida do filho, do emprego da patroa que sempre atrasa e não deixa comida para o filho...bla bla bla bla bla....
Ela falou ininterruptamente e sem respirar por 5 min. Eu não tive tempo de emitir um som sequer e isso claro, para ela não fez a menor diferença. Afinal, ela não queria ouvir, queria falar. E tinha de ser para mim, claro!
Eis que vi uma luz no fim do túnel, da rua, e era o ônibus dela.
Ela  toda feliz gritou: -Jesus me ouviu!!!
- Não senhora, Jesus ME ouviu.
Ela obviamente, não ouviu.
A partir de então, não foi tão cruel esperar mais 20 min. pelo meu ônibus. No silencio, todo fardo é menos pesado.
Então tá.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tire o canudo de seu refrigerante


“Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco: não há nada que substitua o sabor da comunicação direta”. – Mário Quintana.

Sempre achei incrível essa frase do Mário Quintana. Essa, e outras tantas que com seu jeito singelo e desaforado traduzia a realidade da vida.
E hoje, precisei aplicá-la pessoalmente. E recomendo.
O medo tem o poder de paralisar e nos faz paralíticos mentais. Temos medo, e por termos não olhamos a situação com o distanciamento necessário.
As vezes o que parece um obstáculo inerente, se mostra uma possibilidade. É quando se percebe que ao encarar  o monstro ele não corresponde exatamente à imagem que se criou dele.
Na verdade, não lembra em nada aquilo que nossa mente produziu.
Quando o estigma se desconstrói e se mostra real, plausível e razoável passa a ser também possível de ser encarado.
Criar a imagem de uma pessoa, com base naquilo que se ouve, que se acha, que se imagina é lamentavelmente equivocado.
A comunicação direta com alguém que outrora parecia inacessível proporciona um enfrentamento interno em que é preciso ocultar todos os pré-conceitos e partir para análise clara dos fatos.
Só com base no que se tem é que se pode pensar o que fazer. Inverter os fatos é equivoco na certa.
Hoje aprendi que vale a pena tirar o canudinho do refrigerante, para finalmente descobrir seu real sabor.
Corre-se o risco de se descobrir um sabor nada agradável. Mas a grata surpresa de descobrir algo melhor do que se supunha, já vale o risco de tentar.

Então tá!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Saboreando





Alguém algum dia falou algo como: Cuidado com seus sonhos, pois eles podem tornar-se realidade.
Porque quando a “coisa” acontece, ela não pergunta se você está pronto para ela...Ela simplesmente se coloca diante de você. E sempre há uma escolha a fazer...encarar, ou renegar: " - Não, obrigada, quem sabe mais tarde..."
Mas oportunidades não servidas por gentis garçons disponíveis aos nossos desejos instáveis.
Não dá para pedir uma segunda dose, quando o apetite mandar.
Elas são o prato do dia, a única refeição. Ou come, ou deixa para outro faminto comer.
Não há teste de prévia degustação. Não é possível provar pra ver se gosta. É encarar e pagar o preço da escolha. Sim, há de se pagar. Sempre há.
Mas há também o deleite da gula, o desfrute do fazer, o gozo da escolha.
A solução? Comer.
Da digestão, se cuida depois.
Bom apetite!
Então tá!

domingo, 18 de abril de 2010

Adolescência Vazia



Domingo de preguiça básico, e depois do almoço resolvi em vez de ficar em casa “jiboiando” pelo efeito do churrasco, levar a filhota no cinema. O Filme era o único infantil em cartaz: Xuxa em o mistério de Feiurinha. Rendeu boas risadas, eu confesso. E isso por si só já vale a pena. Quando a risada é sincronizada com o riso largo da minha filha, a gente até esquece que o Luciano Szafir poderia ter sido qualquer coisa na vida menos ator e que a Sasha como atriz é uma excelente filha da Xuxa. Mas ok, não vou pegar no pé da guria que está recém começando, pode ser que melhore, vai saber! Critica cinematográfica a parte, a sessão foi jóia.
Como o processo digestivo do churrasco de domingo já estava concluída, e o estômago me fazia lembrar que já era quase noite, fizemos aquela paradinha na praça de alimentação.
E começa então, a segunda sessão de cinema do dia. Esta, gratuita.
Na mesa atrás da nossa, havia um grupo de 6 adolescentes que variavam entre 14 e 16 anos.
Três meninas adolescentes + Três meninos adolescente = Hormônios em ebulição.
Até aí, tudo perfeitamente entendível para quem já passou por essa fase (e nem faz tanto tempo assim) e sabe como as coisas funcionam. O que me chocou foi – digamos assim – a intensidade dos momentos “calientes”, em local publico. Talvez a culpa seja do Kid Abelha com sua mensagem do: em cima da pia, embaixo da escada...Mas pensando bem, eles sequer devem saber quem é (era?!?!) o Kid Abelha.
Do grupo, um casal em especial me chamou mais a atenção: Ela, com roupas estilo “mini-micro-coladas”. A calça jeans devia ter –sendo generosa – uns 4 cm de altura no ganho, e para compensar a “mini-blusa” (sim, no meu tempo aquilo era mini-blusa, hoje chama top) tapava a barriga. Leia-se: Tapava SOMENTE  a barriga, porque os peitos, já comemoravam a  liberdade. Para elucidar a cena com maior riqueza de detalhes, basta uma rápida busca no Google por: “roupas apropriadas para baile funk”.  Quanto ao rapaz, não observei nada além dos olhos quase saindo da órbita normal, se deliciando com “tudo aquilo”. Como se ele soubesse o que fazer com tudo aquilo!
Beijinhos daqui, beijinhos dali, e 5 minutos foram o suficiente para que eles esquecessem de tudo a sua volta, e passassem a contracenar cenas calientes. Era língua para tudo quanto é lado, mão naquilo, aquilo na mão, esfrega, puxa, agarra, pega e meu lanche eu já nem sabia mais que gosto tinha, porque era impossível ficar absorta à cena. Nem eu, nem todos os demais telespectadores à volta.
Ao me dar conta de que minha filha me puxava pelo braço insistentemente tentado me chamar a atenção, consegui recobrar a consciência e lembrar que eu não estava assistindo um DVD do selo: As Brasileirinhas e voltei a realidade. Chocada.
Lembram que eu citei no inicio que à mesa com o “recatado casal” estavam mais 4 adolescentes. Os coadjuvantes seguiam tranquilos fazendo seus respectivos lanches. E nenhum deles, nem delas sequer tiveram sua atenção chamada pela cena descrita. Nada. Era simplesmente a coisa mais natural do mundo. Afinal que mal há um amasso daquela “catigutiria” em pleno shopping lotado, às 19hs.
Seria eu, a estar no lugar errado? Na hora errada? Na época errada?
Sim, eu tive namorados na adolescência, aliás comecei nessa vida de “romance” bastante cedo. Mas eu lembro que por vergonha, recato, timidez ou um pingo de noção, essas coisas rolavam no local mais discreto possível. Era num canto qualquer próximo a escola, numa praça em algum local tranqüilo e seguro. Ou então numa festinha, no bom e velho escurinho do cinema... tudo, mas não assim, com esse “voyeurismo” proposital, descabido.
Afinal, quem teria um desejo incontrolável de ver aquilo que tivesse tão exposto?
Por sorte, ainda estou na fase do “Mistério de Feiurinha”, pois só Deus sabe o que será de mim quando eu chegar na fase do “Mistério dos Hormônios Ensandecidos da Adolescência”
Que eu tenha doses cavalares de psicologia e conte com a sorte de tentar mostrar o quanto a sutileza, a elegância, o charme, a educação podem ser usados sem contra-indicação desde cedo. E fazem, sem duvida, a diferença na vida adulta.

Então tá!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dimensionar é preciso.




Ando longe daqui, dali e pra falar a verdade longe de mim também, tentando me buscar.
Estou a caminho...
Mas é difícil conseguir escrever quando se está com ressaca mental.
Tanta coisa acontecendo e eu meio embasbacada, uma telespectadora de raciocínio lento para tantos acontecimentos que não temos a opção de não assistir. Eles estão ali. Eles te sugam, te consomem a TV, os jornais, a internet e não há quem passe batido por eles. Diante disso, pego minha fita métrica, meço tudo direitinho, ponho meus quês e porquês na balança e quer saber? Nenhum deles tem importância perante tantos fatos Surreais – eu procurei um adjetivo menos obvio, mas não há maior obviedade do que dimensionar sua vida de modo real, e ver que nosso umbigo definitivamente não é nada além de um buraco na barriga. O centro do mundo, sabe-se Deus onde fica, e a esta altura provavelmente deve ter sido soterrado pelas chuvas incessantes como no Rio de Janeiro.
Tragédias naturais que resultam em catástrofe não são novidades para ninguém, e não quer dizer que o mundo vá mesmo acabar em 2012 . Mas é aquela velha máxima...a gente nunca pensa que acontece com a gente, ou com alguém próximo. Não que eu more próximo, pelo contrário. Mas me “tele-transportei” de mente, alma e solidariedade para o RJ. É cruel, doloroso e desumano, ver –mesmo que pelos meios de comunicação- tantas famílias desfeitas, tantas vidas interrompidas, tanta dor e tanta perda.
E o mais difícil, além de sentir a dor dessas pessoas, é ouvir o solene governador Sergio Cabral Filho, informar em rede nacional a uma importante emissora de rádio, que “As pessoas vivem em áreas de risco, porque insistem em morar próximo ao local de trabalho”.
Assim como é difícil saber que em meio a tanta tragédia, em que bombeiros, escoteiros e civis se aglomeram como podem num efetivo insuficiente e capenga para ajudar a quem for possível, não se ouve sequer falar nas forças armadas.
Onde estão? O que fazem nessas horas? Estariam concentrados em algum treinamento secreto, para uma possível guerra que um dia quem sabe, possa acontecer? Vamos invadir o Iraque? Vamos defender a Amazônia de bombardeios bolivianos?

Isso esgota, não deixa rastro para argumentos e revolta.

Então tá!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Recadastramento Quilométrico Biométrico



Diário de Bordo de Michele e Vanelise – Após 05 horas . eu repito: CINCO HORAS na fila do diabo do RECADASTRAMENTO BIOMETRICO.

O negocio é o seguinte.

A prova de resistência acabou e o premio era apenas imaginário...só os inteligentes conseguiam ver.
Não, não estávamos no Big Brother. Não era prova do líder...era apenas uma das alucinações que tivemos na peregrinação de ontem a noite.
Foi uma ciranda cultural sobre moda, beleza e comportamento. Uma imersão.
5 horas de convivência com os aborígenes de todas as estirpes. Com todos os “aromas” e “vestimentas” possíveis.
A visão do inferno, não há outra definição.
Quando chegamos (phynas) de óculos escuros e salto alto, nossa finess ainda enganava e nos sentíamos apenas um pouco desconfortáveis com os nativos.
Algo meio: não sou dessa tribo, mas vou manter a compostura.
Um ou outro mereciam nossa atenção como por exemplo o rapaz que insistia em passar no meio da multidão com o bicicleta numa vibe: customizei em casa meRRRmo, tá ligado?
O pneu era maior do qualquer um que eu já tenha visto. Desconfio que era um disco de arado gigante, improvisado para outro fim.
Tinha também um senhor com a perna enfaixada e muletas. No mínimo tentando sensibilizar alguém pra furar a fila! Nã Nã Não.
Não faltou também as moçoilas atração da comunidade: Manequim 54 vestindo Manequim 36. E o risco de explodirem a qualquer momento.
Gente gritando, gente bebendo, gente comendo, gente correndo, gente morrendo (ou a caminho de.).
E como o brasileiro, alem de deixar tudo para a ultima hora ainda é um povo criativo pra cacete, não demorou para aparecer um ambulante vendendo cordões prateados. Esses de colocar no pescoço de pessoas com gosto duvidoso. Lembram muito uma corrente que eu costumava prender a bicicleta nos passeios ciclísticos, mas há quem diga que é moda. Vai saber...
O programa foi também um passeio familiar para muitos. Pelo menos para o casal atrás de nós, acompanhados de sua prole: 4 filhos.
Atenção para a Equação:  4 filhos + Fila de 5 horas = MERDA.
E é claro, como todo o lugar de aglomeração popular, sempre aparece um conhecido. Normalmente um conhecido que a pessoa ODEIA e só gostaria mesmo de ver se estivesse na melhor cena de Viver a Vida - por cima da carne seca. Tipo assim: Voando as tranças em Búzios num carrão conversível (O Maradona cada um que escolha o seu ok?) Mas não. O infeliz tem que te encontrar ali na FILA DO RECADASTRAMENTO BIOMÉTRICO, em CANOAS, NA CALÇADA , AO LADO DO ESGOTO QUE FEDIA e com a dignidade já ausente.
O infeliz em questão era um fotografo, amigo da Michele (companheira de fé, irmã camarada) que estava ali certamente trabalhando para algum jornal, e tentava retratar  tamanho do caos. Ele não ousou nos fotografar. Deve ter temido pela vida.
Quando nossa fé já tinha ido embora, junto com a dignidade, eis que desce perante nós um anjo do céu. O pai da Michele.
Esse homem vai pro céu, nem que eu tenha que levá-lo no colo (a não ser que eu precise enfrentar fila. Aí não tá pai Vlade?)
Afinal que outra criatura que não celestial, apareceria ali no meio da fila em Auschwitz, e diria serenamente: Gurias...vão jantar! Deixa que eu fico aqui.
Não nos fizemos de rogada, e la fomos com algumas bolhas e uma fome dilacerante.
O triste foi saber que na volta, o anjo que nos aguardava na fila confortavelmente instalado em sua cadeira cor de rosa (sim, ele levou uma cadeira pra nós embora estivéssemos precisando mais de uma maca e um litro de soro), não havia avançado sequer um quarteirão. Nota:  A cadeira, depois de ser ameaçado pela filha de assassinato em via publica, ele tratou de guardar no carro.
Dizem que a muralha da China se enxerga lá de cima, dos satélites. A fila do recadastramento biométrico também, com certeza!
Lá pelas tantas estava eu de “chinela”(evidenciando minhas unhas dos pés descascadas), calças arremangadas (sim, o piso era um lamaçal), garrafa de água na mão. A Michele com um casaco enrolado no pescoço parecendo uma Talibã. Chique – mas ainda assim uma Talibã. Nós só riamos... riamos  ininterruptamente e sem motivo. Nos olhávamos e riamos mais.. ou eram espasmos???
A sala do tal recadastramento parecia um Oasis no deserto. Eu enxergava ela ali pertinho, e de repente ela desaparecia. Ainda havia muitos aborígenes na nossa frente.
A esta altura, desconfiávamos tudo fazia parte de uma grande conspiração. Seriamos nós cobaias de algum experimento cientifico-ufologico, e acordaríamos na manhã seguinte sem um dos rins numa banheira coberta de gelo como reza a lenda???
Ou então estávamos sendo catalogadas para lista da CIA / FBI e teríamos nossa foto divulgada nos sites dos mais procurados do mundo.
Não fazia sentido estar ali, naquele calvário a tanto tempo, por algo menos grandioso.
Depois de tudo isso, para fazer o raio do titulo, era preciso tirar uma foto.
Realize comigo: Ninguém, ninguém mesmo, absolutamente ninguém fica bem em uma foto 3 x 4. Sobretudo depois de CINCO HORAS na fila.
E o rapazinho, tem a pachorra de me perguntar... a Sra quer ver como ficou a foto?
Não querido, definitivamente não. Essa aí não sou eu. É meu espírito Neandertal! Acaba logo com isso!
E tudo isso pra que mesmo?  Ah claro.. para votar em novembro.
BRASIL, UM PAIS DE TOLOS TODOS.

terça-feira, 16 de março de 2010

(in)Justiça(s)?



Carreira é uma coisa engraçada - desgraçada para alguns. Engaçado também a forma com que as outras pessoas nos vêem como profissionais.
Aquela coisa de: O que será que ela vai ser quando crescer??!?!
Bem, eu desde que me conheço por gente, só quis ser duas coisas na vida (profissionalmente falando): Jornalista ou Psicóloga. Nunca pensei em ser nada além disso. Nunca me vi realizada profissionalmente em outro ramo. O problema é que o ramo que gostaríamos de estar, é normalmente diferente do RUMO que a vida nos coloca pra seguir.
Pra confirmar isso, nunca pude fazer nenhuma dessas graduações: Nem psicologia nem jornalismo. Acabei vindo parar na Administração que é o que mais se encaixa com meu trabalho atual. Como as vezes o que é necessário nem sempre é exatamente o que sonhamos um dia, sigo o baile, já mais pro final do que para o inicio do curso. Ainda chego lá.
O fato curioso é o que muita gente já me falou na vida: “-Tu deveria ser advogada, leva jeito”ou   “Pô, tu serias uma baita advogada”.
Sei lá de onde esses seres queridos tiraram essa idéia, mas de onde quer que tenha sido, ela não condiz em nada com qualquer pensamento que eu já tive sobre carreira.
E não que eu considere a profissão pouco atraente, muito pelo contrário. Acho que deve ser um mundo fascinante. O problema sou eu mesma. Sou “demais” para o exercício da profissão.
Afetada demais, revoltada demais, inconformada demais, defensora demais dos pobres e oprimidas.
Como –penso eu- poderia defender um pedofilo por exemplo?  Sim, é um exemplo extremo eu sei, afinal o direito tem outras vertentes. E  mesmo na área criminal, poderia atuar na promotoria e não na defesa. Mas mesmo do outro lado: Como poderia eu ajudar a condenar um criminoso desse porte sabendo que ele tem uma lista interminável de benefícios e que esses poderão resultar no relaxamento da pena. E que, portanto, esse mesmo criminoso, em vez de apodrecer na cadeia estaria em poucos anos na rua fazendo sabe-se lá quantas outras vítimas.
Como imaginar em contrapartida que este, ou qualquer outro criminoso poderia ser recuperado nesses depósitos de gente fétidos que são as cadeias (ou a grande maioria delas) nesse país.
Como conviver com a corrupção, com a desonestidade, com as falhas de um sistema podre e vergonhoso? Como conviver com a contradição de passar valores de dignidade, justiça e honestidade para um filho, e ao mesmo tempo sobreviver a mercê da indignidade, da injustiça e da desonestidade.
Não. Acho que a prisioneira neste caso seria eu. Quem sabe já seja, prisioneira de utopias coloridias, enfim...
Mas admiro demais quem escolhe o Direito como exercício de vida: Sim, porque é bem mais que uma escolha profissional. É uma forma de acreditar que a vida tem jeito.
Tenho alguns amigos especiais que o exercem com maestria pelo amor ao oficio e certamente fazem o melhor que podem dentro desse circo pré estabelecido, até porque são pessoas de integridade sem igual.
Mas realmente: Não faz parte do meu show. E não, não vou ser quando crescer.

Então tá.



sexta-feira, 12 de março de 2010

Vani o que?


Meu nome é Vanelise.
Meio estranho,eu sei. Mas estando eu com ele há 29 anos, já me acostumei. Afinal, que jeito?
Aliás, quando não se sabe a procedência do meu nome, nem se estranha tanto. Ocorre que ao saber de como ele foi “criado”, as pessoas –eu inclusive – acham no mínimo (eu disse No mínimo) engraçado. Eu explico: Este nome surgiu da junção dos nomes de meus pais, Vanderlei e Elisete. Portanto, Van (de Vanderlei) e Lise (de Elisete). Criativo, não? Poderia ser pior, claro: Elisvan..já pensou?
Pois bem. Pessoalmente não tenho maiores problemas, pois via de regra falo uma vez e as pessoas costumam entender.
O problema é que por telefone o bicho pega. Já fui chamada das mais variadas combinações: Vanelucia, Vanise, Vaneide, Vaneleide, Anelise, Vanice, Vanilda, Vanilisia, e por aí vai.
Mas hoje, ao falar com um cliente no trabalho, essa confusão passou de todos os limites.
Passei meu e-mail ao distinto senhor para resolver um problema rotineiro de trabalho, e eis o choque quando recebi:
O cidadão me mandou um e-mail me chamando de Vanicleide!!!!  V-A-N-I-C-L-E-I-D-E.
Senhor! Quem, em sã consciência se chamaria Vanicleide???
Se eu me chamasse Vanicleide, mentiria meu nome, fato!
Falsidade ideológica? Sim, e daí? Algo pode ser pior do que ter em seu RG o nome de VANICLEIDE?
Sem falar que processaria meus pais, usaria um codinome, entraria com um processo para alteração de identidade, enfim: Qualquer coisa, menos me assumir como Vanicleide.
Já pensou? Qual sua graça?  Vanicleide...  (PAUSA HILÁRIO-DRAMÁTICA)
Imagino  Vanicleide sendo uma cidadã advinda dos campos do corte de cana, lá pelo ano de 1930, com 12 filhos nas costas provavelmente num pau de araras.
Não eu! Eu sou de 1981. Trabalho, estudo, leio bastante, me considero bem informada, tenho uma filha de 6 anos, passei pelo ano 2000 e cá estou eu firme e forte em 2010. 
Como, em nome de Nossa Sra. dos Nomes Esquisitos, eu poderia me chamar Vanicleide???
Imagina eu bebê e os adultos falando naquele conhecido dialeto Babyglês falando: Ai que cuti cuti a Vanicleide. Coisa linda da titia...Vem cá Vanicleidinha!!!
Ah, não, não há como supor!
Ok, desculpe aí se alguém se chama Vanicleide, talvez se sentisse ofendida também se a chamassem pelo meu nome.
Mas que foi hilário foi. Ora Vanicleide!!!
:)
Então tá!

sábado, 6 de março de 2010

Piada de mal gosto


Canoas-RS pode ter Felipão como embaixador






Não senhores, este não é um post de uma cidadã Canoense sobre a possibilidade de ver sua cidade como subsede da copa de 2014.
Não, esta também não é (infelizmente) uma nova crônica para o meu blog.

Este é um manifesto, um desabafo, uma tentativa de ser assertiva, com a arma que disponho no momento: a escrita.
Esta é a historia de um homem de 58 anos, tentando um atendimento médico no sistema publico de saúde.
É meu tio, o Sr. Jair. Mas certamente é a história de milhões de pessoas que certamente estão na mesma situação, se não em pior.
A saga inicia no sábado, dia 30 de janeiro de 2010. O Sr. Jair acordou na manhã do dia 30 com fortes dores abdominais. Os medicamentos triviais para dor não funcionaram, e a mesma aumentou tanto a ponto de sua esposa levá-lo ao HPS de Canoas, já que o mesmo apresentava uma aparência amarelada, e dificuldades em andar, além das fortes dores que não cessavam. Ao chegar no HPS, o médico constatou após alguns exames, que ele estava com pedras na vesícula, e dois sistos nos rins, além de uma alteração no fígado. Haveria de ser feita uma cirurgia rapidamente.
Após o diagnóstico, o médico o manteve internado no HPS, ministrando medicamentos pra dor, e antibióticos.
Ao fim da tarde entretanto, deu-lhe alta, já que as dores estavam “administráveis” e já que não havia um anestesista disponível. Orientou que meu tio procurasse um posto de saúde para marcar a cirurgia recomendada. O médico fora bastante claro, informando que se tratava de uma cirurgia em caráter de urgência.
O posto de saúde então foi a segunda escala da rota, na segunda-feira dia 01 de fevereiro, afinal, postos de saúde não funcionam nos finais de semana.
Já na segunda-feira, meu tio deslocou-se novamente com fortes dores, ao posto de saúde, conforme orientação médica do HPS. Lá chegando, descobriu que a coisa não era assim tão simples. Ele precisava marcar uma consulta: primeiro com um clinico geral, e este por sua vez, o encaminharia para a marcação da cirurgia.
Mas, é claro, a coisa novamente não era assim tão simples. Afinal, ele teria que primeiramente retirar uma das fichas que seriam distribuídas no posto de saúde, e que por sua vez, só faria agendamento para a partir de 11 de fevereiro (portanto, mais uma semana após).
Nos dois dias seguintes, o amarelão não cessava e as dores vinham cada vez mais freqüentes e fortes.
Sendo assim, os familiares novamente o levaram ao HPS, na esperança de que alguém pudesse então atendê-lo.
E então, finalmente uma luz no fim do túnel. O próprio HPS agendou a cirurgia (devido a gravidade), para o dia 11 de fevereiro.
De posse das orientações pré cirúrgicas, meu tio fez o recomendado jejum de 12 horas, e no dia 11/02, às 07 horas da manhã foi  novamente ao HPS a fim de realizar a cirurgia agendada.
Lá chegando, aguardou até as 13 horas. Neste horário foi informado que havia cirurgiões disponíveis, mas era necessário um médico anestesista. Porém, havia apenas 1 anestesista de plantão no HPS. E assim sendo, este não poderia atendê-lo, pois por ser o plantonista, não poderia realizar anestesia em procedimentos cirúrgicos que não fossem pertinentes aos atendimentos de acidentados, ou de pessoas baleadas. Mandaram-no novamente pra casa. Com dores, e sem cirurgia. Remarcaram então, para o dia 20 de fevereiro a aguardada cirurgia.
Dia 20 de fevereiro, 7 horas da manhã, novamente meu tio (ainda sob efeitos de remédio para as dores que só aumentaram neste período) dirigiu-se esperançoso ao HPS. Novamente em jejum. Novamente aguardando atendimento. E novamente senhores: Novamente ele foi mandado embora, pois o médico anestesista que “seria” contratado para atendimento extra no pronto socorro, não estava. E sim, novamente o mandaram de volta para casa. Com dores, e sem cirurgia. Desta vez, não houve um novo agendamento de datas, mas houve um novo encaminhamento ao posto de saúde, a fim de se tentar através deste a marcação da tal cirurgia.
De posse de todos os exames, no dia seguinte meu tio foi (já bastante debilitado) ao posto de saúde. Mas não. A cirurgia não pode ser marcada.
Desta vez não faltavam médicos para atendê-lo, nem fichas, nem anestesistas. Faltava um telefone. Sim senhores, um telefone. O posto de saúde há DUAS semanas não consegue marcar a cirurgia por não terem telefone. Eu explico: O agendamento é feito através da internet, mas como o posto não tem telefone, não funciona a Internet, e sendo assim, não é possível agendar uma cirurgia.
Neste meio tempo, entre as idas e vindas ao HPS e ao posto de saúde, meu tio          também tentou atendimento no ÚNICO hospital publico da cidade, o Nsa. Sra. Das Graças. Mas lá a informação foi a mesma: O paciente deve primeiro procurar o posto para marcar a cirurgia.
Ele também tentou um hospital da rede Ulbra, que também realiza(va) atendimentos pelo SUS,. Porém, devido a esse hospital estar “falido”, os médicos fizeram um acordo coletivo com a instituição e foram todos demitidos e não há atendimento.
Meu tio segue até o momento, ingerindo doses cavalares de medicamentos pra dor.
O sisto, sem duvida deve ter aumentado, assim como as pedras e as dores.
No meio disso tudo me surgem algumas perguntas:
O que faria o HPS se chegassem DOIS pacientes baleados?
Ou DOIS acidentados. Já que só dispõe de UM anestesista?
Caso o estado do meu tio venha a piorar ainda mais (já que os resultados dos exames estão todos alterados com as taxas incrivelmente acima das normais), e por fim vier a falecer por conta desse descaso, a quem devo reclamar?
O que os familiares devem colocar em sua lápide? Pensei em algo do tipo: Morreu aguardando atendimento. Ou quem sabe: Coitado, cansou de esperar.
Senhores, eu humildemente pergunto: Canoas, subsede da Copa do mundo?
Ou eu estou incrivelmente equivocada, ou só pode tratar-se (por motivos óbvios) de uma grande piada de mal gosto.
Sugiro a prefeitura, que convide o Dr. Drauzio Varella como embaixador da Copa. Ao que parece, a cidade carece mais de médicos do que de técnicos de futebol.


Então tá.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Praticando o desapego


Sempre acreditei muito na força da energia, nas coisas que atraem bons e maus fluídos.
Embora seja mais perceptível nas pessoas (tem gente que tem uma carga pesada de energia negativa), acredito muito que colocamos energia nos objetos pessoais, sobretudo naqueles que vamos soterrando nas gavetas a espera de que algum dia elas tenham alguma serventia.
Não há serventia. O que há é um excesso de apego nas coisas que guardamos.
Por vezes, essa energia se encontra naquele papel que embrulhou o belo presente de Natal e fica ali, amontoado no fundo do armário até que a próxima ocasião lhe solicite serventia.
Ou então, naquele casaquinho medonho comprado na feirinha da praia, de gosto duvidoso, e que jamais damos permissão pra habitar nosso corpo. Mas habita o armário com cabide privilegiado e direito adquirido. Não vamos usar, mas não conseguimos tirá-lo dali, de onde sequer o enxergamos. Mas quando o vemos, fazemos de conta que faz parte do contexto, e afinal pra que mexer no que já está?
E assim, as energias vão assentando poeira, criando raízes e estando ali paradas, fazem com que fique estagnada também nossa energia de vida.
Algumas vezes me deparei em situações que me solicitaram responder qual meu hobby. E normalmente me detinha a dois: Ler e Escrever.
Mas descobri outro, que chamo carinhosamente de “praticar o desapego”.  E digo, tem sido uma terapia praqueles dias insossos em que ficar em casa parece ser o melhor dos programas.
O desapego tem começado ultimamente pelo roupeiro: aos poucos tirando coisas das quais me envergonho de ter olhado, quiçá de ter comprado. E passa pela papelada do escritório, fazendo pitstop nos demais armários e gavetas da casa... é uma delicia.
Livrar-me de toda aquela tralha, é como tirar camadas de pele morta do meu corpo, e deixá-lo respirar.
Uma esfoliação na alma...relaxa, renova e abre espaço para novas energias.
De quebra, temos a possibilidade de praticar algo ainda mais nobre que o desapego: a solidariedade com aqueles que não têm muito que tirar de dentro dos armários, mas merecem receber nossa boa energia em forma de doações.
Sejamos como o mar, que está sempre se renovando, movimentando suas águas e possibilitando que a vida se manifeste em seu interior.
Então tá!

sábado, 27 de fevereiro de 2010


Ganhei este lindo presente de aniversário, dos incríveis amigos do trabalho.
Amei, não me canso de olhar.
Além de lindo, o livro é da Clarice Lispector, que é claro por si só basta!
Vou devorá-lo, fato! ;/

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Insônia Criativa



A insônia criativa
Tem gente que tem a bênção do ócio criativo. Esse, por falta de tempo não me pertence.
Mas descobri, que tenho a “insônia criativa”.
Ela não é crônica, graças a Deus. Via de regra durmo muito bem obrigada e os carneirinhos nem chegam a pular a primeira cerca e eu já capotei.
Entretanto, quando a insônia chega, vem de malas prontas e se instala sem pressa de regressar. Eis a insônia criativa.
Afinal o que fazer quando todas as luzes se apagam, quando todos os moradores da casa foram dormir, e quando a TV não fornece nada que mereça meu estender de mãos até o controle remoto? Sim, exercitar a criatividade.
Incrível como tudo se resolve facilmente numa noite dessas.
E a criatividade é eclética: Com ela reformo a casa, programo as férias, ando de bicicleta.
Organizo o dia seguinte, tenho idéias mirabolantes, faço planos indizíveis.
Penso em parar de fumar, planejo arranjar mais tempo pra família, e lembro de retomar a dieta.
Imagino a viagem dos sonhos, faço esboços de roupas diferentes, lembro de arrumar o roupeiro, penso em fazer um trabalho voluntário.
Prometo levar menos coisas na bolsa, começar alguma atividade física, e penso no futuro.
Lembro o que pensava, lá em mil novecentos e antigamente sobre o que estaria fazendo no ano 2000. Percebo que fiz muita coisa e que essas foram totalmente diferentes do que imaginava, e que fiz escolhas que me trouxeram até aqui. Portanto, estou onde devia estar: nem mais nem menos, simplesmente aqui.
Quero seguir com as noites bem dormidas, mas também com as de insônia criativa, afinal a criatividade não custa nada e nos permite viajar sem sair do lugar. Pelo menos até que o sono venha.

Então tá!

A escrita de cada um



Por uma série de fatores rotineiros próprios de um início de semestre na faculdade, fiquei alguns dias distante do blog.  E neste curto espaço de tempo, pude me dar conta do quanto a escrita me faz falta.
E quase que por acaso, me dei conta do quanto a escrita sempre esteve presente na minha vida, desde muito cedo.
Naquela época, eu não tinha evidentemente as ferramentas que tenho hoje. Nem computador havia, quiçá um blog!
Mesmo assim, ela – a escrita – sempre esteve ali.
Por vezes num caderno de “poesias”, do qual eu tenho um profundo sentimento de perda por tê-lo dado um fim indigno qualquer. Outras vezes em agendas recheadas de frases, dizeres, rabiscos e versos desconhecidos.
E na falta de qualquer um desses, numa aula insossa qualquer, um caderno usado de matemática  e sua contracapa serviam de prancheta para palavras soltas, pensamentos delirantes e desabafos de todos os gêneros.
Hoje, bem como naquela época, a escrita nunca fora previsível, pensada, estruturada. Veio sempre de algo que surgia em um fio de pensamento que emanava sem aviso prévio.
Uma coisa levando a outra, e saindo uma salada que na maioria das vezes eu nem sei bem de onde tirei.
O fato é que todo mundo tem sua “arte” secreta. Seja ela a escrita, a pintura, a musica, a dança, os trabalhos manuais. Todos tem em si, sua auto-terapia. Aquela em que nossos fantasmas recebem ordem de despejo, e na qual canalizamos as energias extras que borbulham dentro de si, e que de fato precisa atracar em algum porto.
Não escrevo pra ninguém. Minhas “cartas” têm apenas remetente, não destinatário.
Escrevo pra mim. Para me olhar de outra perspectiva, me analisar, me avaliar e ver por onde ando. É um Big Brother interno que não tem prêmio de 1 milhão. Mas tem um pouco de mim em cada linha, e não há de ser pouco. Deus queira!

E você? Qual é a sua escrita? Sempre há.
Então tá.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Perereca da Cozinha




Sabe o que faz uma mulher histérica quando encontra uma perereca em cima da pia da cozinha?
Não sei.
Mas eu fiz um PEQUENO escândalo. Sim, descompostura total e geral, quem se importa?
Esqueci tudo que sempre busquei em matéria de equilíbrio, calma, e racionalidade.
Gritei desvairadamente, corri de um lado pro outro da casa aos berros até receber socorro.
O socorro veio, mas ao tentar exterminar a bichinha ela deu um salto ornamental e a gritaria aumentou.
Assim, éramos duas a saltar pela casa, e eu não perdi pra ela: pernas pra que te quero, e as minhas eram maiores do que as dela. Alguma vantagem eu havia de ter.
Danem-se os vizinhos, o ecossistema, a familia da perereca, e até minha filha tadinha que dormia o sono dos inocentes no momento da confusão e acordou assustada querendo saber porque mamãe gritava tanto.
Logo mamãe, que pede sempre pra ela não gritar, falar baixo, não correr...em vão.
Enfim, quando o "socorro" conseguiu matar a perereca já era tarde. Meu estômago estava embrulhado, só de pensar em ter que me aproximar da pia para lavar um copo e encontrar aquela coisa peçonhenta ali de novo.
Sim, pois a família haveria de querer reclamar o corpo em algum momento...
Cá pra nós...o bicho além de ser feio pra CARA(mba), é viscoso e gelado. A única serventia é comer insetos, ora comer insetos! Isso lá é objetivo de vida meu Deus?
Por mim que o mundo fique infestado de insetos, mas que fossem exterminadas essas criaturas verdes e nojentas que rondam a casa alheia.
Não foi a primeira, ela não era réu primaria. Outro dia encontrei no meu banheiro, 6h da manhã, mas o que é isso?  Não, eu não moro no pântano, nem num reino tão tão distante, mas sei lá por que diabos esses bichos atentados resolvem fazer minha casa de paradouro vez em quando.
E pra quem ousar fazer piadinha infames alegando que não devo ter medo de perereca já que tenho uma, já vou logo avisando. A minha não fica pulando por aí. Pelo menos não em cima da pia da cozinha.
Bastou. Nunca mais lavarei louça. Bem que eu sempre soube que meu lugar era bem longe da cozinha.
Afff