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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lições para 2010 - Lição Nrº 1: Dizer Não




A primeira coisa que a maioria das crianças aprende a falar é Não. Seja pelo sinal de negativo com a cabeça, seja com o dedinho indicador balançando incessantemente.
Deve haver algo de subliminar nisso, pois o contraponto é que dizer Não é a coisa mais difícil de se fazer na vida adulta.
Você é um profissional respeitado, financeiramente independente, pai de família, bem resolvido, e na hora H, na hora em que alguém te põe em alguma situação que você gostaria de dizer um SONORO não, em todos os dialetos existentes… hã? Cadê? Não sai.
Você é uma mulher decidida, moderna, a frente de seu tempo, culta, ocupada, vaidosa…mas em algum momento, alguém ou alguma coisa vai te colocar numa situação que a resposta, a unica resposta aceitável é NÃO. E na hora H… hã? Como? Não sai.
Porque é tão difícil dizer não?
Deve haver algum acordo invisível, impalpável e irreversível com a sociedade que não nos permite o tão necessário ato de negar.
E não falo de grandes decisões que mudarão o destino da humanidade. Falo das corriqueiras situações que se apresentam, e que vamos engolindo e nos ferindo. Aceitando e nos machucando. Dizendo sim, e sofrendo.
Aquela pessoa proxima pediu um dinheiro emprestado? Resposta correta:Não! Resposta dada: Ah..sim..claro.
Você não dispõe de recursos, mas se vira, tira daqui e dali, aperta acolá, e empresta.
Aquele amigo distante, liga perguntando se você vai estar em casa a noite. Você com uma cólica infernal, com o bom humor equivalente ao de um cão feroz, e em vez de dizer Não, você diz: Sim, claro…será um prazer.
Nas duas situações ferrar-se é inevitável. É inevitável que as finanças entrem no vermelho quando não há recursos disponíveis e continuamos secando a fonte. Receber alguem num péssimo dia, também não é nada bom. Nem pra você, nem para o visitante.
Mas então por que diabos essa ânsia de querer agradar, de seguir dizendo SIM SIM SIM’s por aí, quando um Não resolveria tudo de forma menos indolor?
Pra agradar?
Pra sentir-se aceito?
Pra sentir-se menos culpado?
Pra ser levado em consideração?
Conversa.. nada mais autentico - e mais difícil - do que ser honesto com os outros e consigo mesmo.
Que em 2010 possamos aprender a usar mais o NÃO e com mais sabedoria.
Então tá.

...




Porque insano é não pensar em tudo aquilo que nos corrói, que nos suga as energias, nos faz sucção.
Hipócrita é tratarmos com plácida normalidade os insultos, as agressões, as atitudes sem nexo que nos rodeiam. Nos desnorteiam.
É ver-se fora do contexto, sentir-se na rota inversa e seguir insistindo numa verdade convenientemente inventada.
Porque marginal é permitir a mutilação dos sonhos, do lúdico, do leve, e goela abaixo ser racional, abissal.
Doentio é o sentimento raso, a pouca entrega, a falta de tempo para degustar os dias e quem passa por eles.
Porque insalubre é permitir que a inércia se mantenha, os dias passem e por entre os dedos a existência fuja e não se encontre o botão pra arremeter.
Porque medíocre é aceitar migalhas do que se quer, tão menos do que se merece.
Porque controverso é não haver tempo para o mínimo, para que a conversa seja entendida, para que a fala seja concluída.
Pra que a cólera seja diluída.
Porque cruel é culpar o outro, é forjar um álibi, sucumbir as verdades e fugir da própria responsabilidade.
Porque estúpido é saber disso de cor e salteado. E seguir, e seguir. E fingir.
Porque tudo que se quer está lá. Está onde tudo tem início: no útero da alma, no coração da mente.
É preciso resgatar, mesmo que pra isso seja preciso se rasgar.
Então tá.

Momentos de transição




Dias que não passam, coisas que não acontecem, horas que se arrastam.
Chuva que insiste em voltar, tempo cinza, vidros a embaçar.
Coisas a fazer, contas a pagar, roupeiro pra arrumar – o retrato do caos.
Uma casa pra limpar, uma ligação pra retornar, um e-mail pra enviar.
Sorrisos automáticos, lágrimas que emergem sem pedir licença.
Um sol que se põe, uma noite que começa.
Filhos pra educar, cabelo pra cortar, provas pra estudar.
Dores pra curar, lugares pra visitar, remédios a tomar.
Idiomas pra aprender, problemas a esquecer, pessoas pra lembrar.
Sonhos a realizar, projetos a praticar, meditação pra acalmar.
Ginástica pra começar, massagem pra experimentar, amigos pra visitar.
Livros pra ler, sites a visitar, comida pra experimentar.
Voluntariado pra praticar, um tempo pra descansar, uma noite pra se embriagar.
Culpa pra tratar, coragem pra se perdoar e haja saco pra levantar!

Oi, férias de mim, pode?
Pode (mentira)
Então tá!

O Curioso caso de qualquer um de nós

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Essa semana depois de muitos depoimentos favoráveis, resolvi assistir o premiadíssimo O curioso caso de Benjamin Button, e realmente as indicações se confirmaram e o filme é realmente muito bom. Tanto na história, quanto na maneira sutil de falar das agruras daquele pobre cristão condenado a uma pena de morte pelo próprio organismo.
Mas em especial uma cena me chamou atenção. Nela é narrado como funciona na prática o dedo cirúrgico do destino em nossas vidas, e de como cada segundo pode fazer a diferença entre vida e morte, felicidade ou tragédia.
No início desta mesma semana, ao dirigir-me para o trabalho, houve um congestionamento incomum. Trânsito parado, sirenes ligadas, e movimentações estranhas.
Logo se descobriu que houve à frente um atropelamento. Uma moça de 25 anos morreu atropelada ao tentar fazer a travessia da BR 386, num dia de chuva, por 3 carros. Sim, 3 carros. O primeiro atropelou (o carro de uma empresa de segurança privada), e os outros dois chocaram-se a ela sem tempo de desvio. Morte instantânea, de uma jovem a caminho do trabalho.
Lá vem o dedo cirúrgico e preciso do destino.
E se ela tivesse se atrasado no banho? E se o relógio não tivesse despertado? E se ela tivesse esquecido o guarda-chuva e tivesse voltado para buscá-lo?
E se ela tivesse uma consulta médica e não pudesse ir trabalhar?
E se o carro que perdeu o controle e a atingiu, tivesse furado um pneu? E se o motorista tivesse parado antes para abastecer?
E se este mesmo motorista tivesse voltado do portão para dar um beijo na mulher que dormia serena em sua cama? E se o farol anterior estivesse fechado o atrasando alguns minutos. E se ele tivesse conseguido frear?
E se ele estivesse sido demitido no dia anterior e estivesse naquele instante, depois de uma noite em claro pensando no desemprego, dormindo pra recuperar o sono perdido?
Ele não estaria passando por ali. Ela teria completado a travessia.
Está escrito. Em algum lugar há de ter um final reservado e escrito especificamente para cada um de nós. Não há como fugir. Não temos um Dejavú que nos dê rotas alternativas.
Estamos onde estamos, porque temos que estar.
Não há recurso jurídico. Não há reprise do lance. Não há uma segunda chance.
Não há test drive pra ver se dará certo. Não há esboço antes do texto oficial.
Há o destino. Impecável e implacável.
Há a utopia de achar que só acontece com o outro.
E há o ato, o fato, o incontestável.
O fim. A única e mais abominável certeza que temos, acompanhado das certezas que inventamos todos os dias para fazer de conta que somos donos de nossos destinos.
Então ta!

Não levei jeito pra coisa…



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quando eu era criança minha mãe me matriculou no balé.
Odiei de cara. Cheguei em casa dizendo que havia achado aquele negócio de ficar segurando a uma barra, agachando e levantando um aula inteira, um tédio.
Devo ter ido a uma ou duas aulas se muito, até que a perspicaz professora comentou com minha mãe que eu não levava mesmo jeito para coisa, e que ao saltar eu tinha a suavidade de um elefante. Salve a professora. Não era mesmo pra mim. Fui jogar vôlei que era mais a minha praia, e embora meu tamanho não favorecesse muito, até que me saí bem e cheguei à seleção de vôlei do colégio. Ponto pra mim, e pro azar da minha mãe nunca fui a bailarina que ela imaginou que eu pudesse ser. Aliás, acho que a figura da bailarina, refletia aquilo que inconscientemente ela imaginava pra mim: que eu fosse uma menina singela, delicada que gostasse de rendinhas, babadinhos, fitinhas e usasse cor de rosa.
Pro desgosto dela, eu odeio rendas, babados e fitas e abomino cor de rosa. Da delicadeza passei longe. Meu negócio era jogar vôlei, carta, ir ao estádio assistir aos jogos do Inter, e quando não ia, ficava roendo as unhas em casa, com o olho na TV e o radinho de pilha colado ao ouvido. Freud explica.
Outro dia minha filha resolveu que queria fazer balé, empolgada com a ida das coleguinhas de classe. Foi a uma aula, e na volta quando eu perguntei como tinha sido o primeiro dia ela me responde: - “Mãe, eu não gostei do balé, queria mesmo era fazer capoeira”.
Não me frustrei, porque assim como ela, eu também não dei pra coisa, e até confesso que achei hilário. Quem sabe uma peça que o destino me pregou pra eu sentir na pele o que minha mãe passou. Se for isso, lamento seu destino, mas achei o máximo à atitude dela.
Não tenho grandes projetos pra minha filha, até porque acho que a gente mal da conta dos nossos próprios projetos, quem dirá querer saber o que um filho fará quando crescer. Muita pretensão.
Meu único desejo é que ela seja livre para fazer suas escolhas. De minha parte farei de tudo para contribuir dando estrutura, mas no mais, quero que seja ela mesma, com seus próprios sonhos e em busca de suas próprias possibilidades.
O caminho que ela escolher não me importa. Me basta que seja trilhado com dignidade e respeito ao próximo. Fora isso, se quiser ser padeira ou astronauta, malabarista de circo ou uma serva da caridade, francamente, não me fará nenhuma diferença.
Então tá!

Gênio forte?




quarta-feira, 24 de junho de 2009

Não gosto do mais ou menos, do meio termo, do morno, mas não me considero radical. Não gosto de definições, não acho que alguma coisa seja realmente definitiva…sempre pode haver um meia volta volver.
Embora ande em busca do equilíbrio, ando escutando muito Sereníssima do Legião (Consegui meu equilíbrio, cortejando a insanidade..)
Tentando ser mais leve, menos séria, menos estressada. Difícil. A gastrite me denuncia, a incredulidade me desbanca.
Invejo as pessoas que tem essa leveza nata, esse bom humor quase infantil, topam qualquer indiada que resulte em boas risadas.
Eu não.
Sou maniática, mas não sistemática.
Faço tantos planos e mudo tanto a rota em pleno vôo, que GPS algum me pegaria.
Acho graça de coisas cotidianas, sobretudo as autorais.
E acho graça até do stress dos outros, que obviamente são diferentes dos meus.
Outro dia meu pai me questionava embasbacado sobre o absurdo de eu não saber de cor determinado número de telefone de uma pessoa próxima… e eu as gargalhadas dizia a ele: Mas pq diabos eu vou ocupar meu cérebro decorando números que só usarei em raríssimas ocasiões…nas corriqueiras aperto o Send no celular e fica tudo certo..e ele quase arrancando os poucos cabelos diz balançava a cabeça inconformado, resmungando que nunca viu coisa igual (a mim), e que na época em que era bancário sabia de cor o número de conta dos clientes, e o cnpj de todas as agencias bancárias da rede ?!?!!?… eu choro de rir com essas coisas.
Em compensação o stress, a impaciencia me corroem em outras ocasioes. Dois pesos duas medidas? Pode ser, vai saber…
Não consigo não me estressar, por exemplo, com um colega de aula que resolve apresentar um trabalho (no maldito power point - alguém faz o favor de avisar que aquilo não serve como sinalizador de navio pra ser multicolor, multisonoro, e multiinterativo, como as pessoas insistem em usar?!?!?!?) Tenho ímpetos de voar no pescoço, gritar aos quatro cantos pra internar a criatura, mas engulo meu veneno e sigo o baile..jeitinho daqui, jeitinho dali, apresento o meu próprio trabalho, mais formal, mais normal - ao menos pra mim.
Acho-me prática. Pão, pão - queijo, queijo. Não gosto de rodeios, de dúbias interpretações.
Não tomo banho descalça, nem de água fria.
Já amei o inverno, e hoje ele me causa alguns inconvenientes.
Já fui alucinada por carnaval, hoje menos, mas não morro sem ir a Sapucaí num desfile da Mocidade.
Sempre gostei de formula 1, e hei de assistir in loco uma corrida.
Odeio gente mal educada e creio piamente que gentileza gera gentileza.
Não sou amiga intima dos doces..um bombom me satisfaz por meses a fio, e passa a régua.
Aprendi a gostar de vinho - suave - e abomino uísque…amo Champagne.
Refrigerante pra mim é Coca Cola, o resto é bobagem.
Tenho adoração por perfumes… Cheiros sempre me remetem a locais já visitados, momentos já vividos.
Todo ano planejo começar algum esporte… O ano passa e o esporte fica (nos planos).
Sonho em fazer psicologia, embora já tenha sonhado com jornalismo… hoje acho que é mais fácil escrever conhecendo a alma humana com mais conhecimento de causa. Escrever se tornará uma conseqüência.
Sou meio questionadora com aquilo que as vezes é obvio para os outros. Outro dia recebi um e-mail que perguntava mais ou menos assim: Qual seu tipo de filme predileto? Terror ou final feliz? … Resposta: Nem sempre as melhores histórias têm um final, quem dirá se serão felizes… Assim como a vida.
Gosto mesmo dos filmes que nos fazem pensar (porque chorar todos me fazem).
Sofro com a dor alheia… Acho que ser mãe aguçou isso em mim de forma desregrada… Mas tem lá suas vantagens… Os amigos, por exemplo, tem facilidade de me indicar filmes. Dizem: - Assiste esse que é de chorar.
Então ta.

Quando o que dizemos, quer dizer apenas o que dizemos…



sexta-feira, 12 de junho de 2009



Quando a gente diz: “Desculpe, não posso falar com vc agora”, muitas vezes quer dizer pura e simplesmente que não se pode falar com a pessoa naquele exato momento. Não significa de o casamento acabou, que a paixão desapareceu, que a amizade encerrou, que a proposta não foi aceita, que o curriculo foi rasgado.
Pode ser por exemplo, que a pessoa teve uma subita dor de barriga e precisava ir ao banheiro sem que pudesse levar junto o laptop ou o celular. Ou quem sabe ainda, o tempo de explicar que precisava ir ao banheiro, seria determinante para que algo desagradável acontecesse…e nem desse tempo de chegar o banheiro.
Pode ser ainda que quando o celular tocou e o individuo atendeu, adentrou seu chefe porta a dentro, e a pessoa que estava até então disponível não está mais, não pode falar.Quem sabe está sendo assaltada, e tbm não pode falar..mas as vezes é muito difícil de entendermos isso.
Quando a gente diz: “Olha, não estou afim de fazer tal coisa”…pode ser que simplesmente a pessoa não esteja afim. Ponto. Não estar afim de, por si só diz muitas coisas, não carece de explicação. Mas por que? Por que não se está a fim. Basta. Pode ser que haja uma enxaqueca, uma cólica, uma TPM, uma unha encravada por traz, ou pode ser coisa alguma, simplesmente não está afim.
Quando a gente diz: “Não lembro…”, não quer dizer que o presente não agradou que o momento não foi importante, que o relacionamento acabou, que o que foi dito não era relevante..pode ser Alzheimer, pode ser um dia conturbado, pode ser dois telefones tocando ao mesmo tempo, um computador que dá pau, um e-mail com problemas. Pode ser que algum alienígena que tenha surrupiado essa fração de memória do individuo e ele realmente não lembra.
Quando a gente diz: Me Desculpe, mas não deu tempo (de ligar, de chegar etc)… Pode simplesmente (acreditem), não ter dado tempo. Pode ter sido o transito infernal, um relatório surreal, uma amiga muito mal. Pode ter sido uma blitz, um caixa eletrônico emperrado, um pneu furado.
Mas as vezes simplesmente não da tempo. Nem de explicar.
Então tá.